MARICLEIDE TEIXEIRA Advocacia humanizada · OAB/BA 66.500
Dra. Maricleide Teixeira de braços cruzados, sorrindo

Pensão alimentícia

Como se calcula a pensão alimentícia: necessidade e possibilidade

Em resumo

  • A lei não fixa porcentagem: o valor nasce do equilíbrio entre necessidade, possibilidade e proporcionalidade.
  • A necessidade se prova com as despesas reais; a possibilidade, com renda, patrimônio e padrão de vida.
  • O valor pode ser fixo, percentual, em salários-mínimos ou misto, e precisa prever o reajuste.

Não existe uma conta pronta nem uma porcentagem fixada em lei. O valor da pensão é definido pelo juiz, ou combinado em acordo, a partir de três ideias: necessidade de quem recebe, possibilidade de quem paga e proporcionalidade entre as duas CC, art. 1.694, § 1º. Entender essa lógica ajuda a preparar um pedido realista e a negociar com mais segurança.

As três ideias por trás do cálculo

CritérioO que significaComo costuma ser comprovado
NecessidadeO que a criança ou o alimentando precisa para viver de forma compatível com sua condição social, inclusive educação CC, art. 1.694Recibos, boletos, contratos, planilha de despesas, laudos e receitas
PossibilidadeO que quem paga consegue contribuir sem faltar ao próprio sustento CC, art. 1.695Contracheques, declaração de imposto de renda, extratos, contratos e sinais de padrão de vida
ProporcionalidadeO ponto de equilíbrio entre os dois lados, que impede um valor irreal para mais ou para menosAnálise do conjunto das provas pelo juiz ou pelas partes, no acordo

Como se mede a necessidade

A necessidade é o ponto de partida. Ela parte das despesas reais, e não de uma estimativa solta. Entram, por exemplo:

  • Moradia: aluguel ou financiamento, condomínio, água, luz e internet, na parte que cabe à criança.
  • Alimentação, vestuário e higiene.
  • Saúde: plano, consultas, terapias, medicamentos e tratamentos contínuos.
  • Educação: mensalidade, material, transporte escolar, uniformes e atividades.
  • Lazer e convivência social, na medida do padrão de vida da família.

Um detalhe que muita gente esquece: quem fica com a criança no dia a dia também contribui, com o tempo, o cuidado e as despesas diretas. O dever de sustento é dos dois responsáveis: na manutenção dos filhos, os pais que se separam contribuem na proporção de seus recursos CC, art. 1.703. Por isso, o valor da pensão normalmente não cobre 100 por cento do custo da criança, e sim a parte que cabe a quem paga.

Como se mede a possibilidade

A possibilidade avalia a capacidade de pagamento de quem deve contribuir. Olha-se para a renda formal e informal, para bens e investimentos e para o padrão de vida. Não é preciso deixar quem paga sem o necessário: a lei protege o seu sustento CC, art. 1.695.

Quando o pagador é autônomo ou trabalha na informalidade, a prova costuma ser indireta: movimentação bancária, contratos de serviço, anúncios, viagens, veículos, escola dos outros filhos e redes sociais. O juiz também pode pedir informações a órgãos públicos, inclusive os do Imposto de Renda, para conhecer a renda real Lei 5.478/1968, art. 20. A ausência de comprovante de renda não afasta a obrigação: o valor passa a ser estimado por outros sinais.

Valor fixo, percentual ou os dois

Além de decidir quanto, é preciso decidir como a pensão será expressa. Cada forma tem vantagens e cuidados:

FormaVantagemCuidado
Valor fixoPrevisibilidade para as duas partesPrecisa prever o reajuste periódico CC, art. 1.710
Percentual sobre os rendimentosAcompanha a renda de quem pagaÉ essencial dizer o que entra na base: salário líquido ou bruto, 13º, férias, horas extras, participação nos lucros
Salários-mínimosReajusta quando o salário-mínimo mudaO valor sobe com o piso nacional, mesmo que a renda de quem paga não suba
MistoCombina um valor fixo e despesas pagas diretamente, como escola ou plano de saúdeO acordo precisa listar com clareza quem paga o quê e como comprovar

Os números de porcentagem que circulam na internet são, no máximo, referências de prática de cada região ou juízo. Não são regra legal. Cada família tem despesas diferentes, e o resultado depende das provas.

Dúvidas que costumam gerar conflito

  • 13º salário, férias e outras verbas: quando a pensão é um percentual, a decisão ou o acordo deve dizer se essas verbas entram na base. A prática costuma incluí-las, mas depende do que foi escrito.
  • Guarda compartilhada: ela não dispensa a pensão. A divisão do tempo e a divisão das despesas são assuntos diferentes. Veja guarda compartilhada: como dividir o tempo.
  • Pagamento direto de despesas: quem deve alimentos pode, em certos casos, custear diretamente parte das necessidades, e o juiz define a forma de cumprimento quando as circunstâncias exigem CC, art. 1.701. Sem formalizar, esse pagamento pode não ser aceito como pensão.
  • Outros filhos: a existência de outros filhos é levada em conta, mas todos têm direito ao sustento, e o valor deve ser pensado para a família como um todo.

Um exemplo simples

Imagine uma criança em escola particular, com plano de saúde e atividades. A mãe, com quem ela mora, trabalha e cobre grande parte das despesas diárias. O pai tem renda maior. Se a renda dele é aproximadamente o dobro da renda dela, é razoável que ele assuma uma fatia maior dos custos, inclusive pagando diretamente a escola, e complemente com um valor mensal. O desenho final depende dos comprovantes, e esse exemplo ilustra apenas a lógica.

O valor da pensão não é para punir quem paga nem para enriquecer quem recebe. É a medida do sustento da criança, dividida de acordo com os recursos de cada responsável.

Passo a passo para montar o seu cálculo

  • Liste as despesas dos últimos seis a doze meses, separando o que é fixo (escola, plano, aluguel) do que varia (mercado, farmácia, lazer).
  • Separe o que já é pago diretamente por cada responsável, para não contar a mesma despesa duas vezes.
  • Reúna a renda dos dois lados, com contracheques, declaração de imposto de renda e extratos.
  • Considere as despesas extraordinárias, como cirurgias, óculos, ortodontia, viagens escolares e material de início do ano, e decida se serão divididas à parte.
  • Defina a forma de pagamento: valor fixo, percentual, salários-mínimos ou uma combinação, com data de vencimento e conta para depósito.
  • Registre tudo por escrito, de preferência em acordo homologado, para que o valor possa ser cobrado se for preciso.

Esse roteiro serve tanto para quem vai pedir quanto para quem vai negociar. Chegar à conversa com números organizados reduz a chance de discussões e de pedidos fora da realidade. Se ainda não pediu a pensão, veja também como pedir pensão alimentícia: passo a passo.

Reajuste: o valor não pode ficar parado

As prestações alimentícias devem ser atualizadas por índice oficial regularmente estabelecido CC, art. 1.710. Se a decisão ou o acordo não disser qual, abre-se espaço para discussão. Por isso vale prever o índice e a data do reajuste. Se a situação financeira mudar de forma relevante, o caminho é a revisão, explicada em revisão, redução e exoneração da pensão.

Conclusão

Calcular a pensão é um exercício de equilíbrio, e ele fica mais justo quando começa com documentos. Se você pretende pedir ou combinar um valor, organize as despesas e reúna informações sobre renda antes de conversar. Para entender como a pensão alimentícia se aplica à sua situação, converse com uma advogada.

Dúvidas comuns

Maricleide TeixeiraAdvocacia humanizada · Dúvidas comuns
Existe uma porcentagem padrão, como 30 por cento do salário?

Não. A lei não fixa porcentagem. Esses números circulam como referências de prática, e o valor real depende da necessidade, da possibilidade e das provas de cada caso CC, art. 1.694, § 1º.

A pensão incide sobre 13º salário e férias?

Depende do que a decisão ou o acordo estabelece. Se a pensão for um percentual dos rendimentos, é comum discutir a inclusão dessas verbas, e por isso o texto precisa ser claro.

Quem está desempregado ou trabalha por conta própria também paga pensão?

Sim, a obrigação existe. O valor leva em conta a capacidade real de pagamento, avaliada por outros sinais quando falta comprovante de renda.

Preciso comprovar cada despesa da criança?

Quanto mais documentado, melhor. Recibos, boletos e contratos fortalecem o pedido, e despesas pequenas do dia a dia podem ser apresentadas de forma organizada em uma planilha.

Conteúdo informativo, atualizado em 31 de outubro de 2026, sem caráter de consultoria. A legislação e a jurisprudência mudam, e cada caso tem particularidades. Consulte uma advogada antes de tomar decisões.

Dra. Maricleide Teixeira · OAB/BA 66.500

Advogada em Direito de Família e Sucessões, com atuação em inventário, divórcio, guarda, pensão alimentícia e regularização de imóveis. Advocacia humanizada, em linguagem simples, com atendimento online e presencial.

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